Escoliose em adolescentes: como é feita a avaliação, exames e próximos passos
Postado em: 03/04/2026

Descobrir que um filho pode ter escoliose em adolescentes costuma gerar muitas dúvidas. A boa notícia é que, quando identificada precocemente e acompanhada de forma adequada, a condição conta com opções de tratamento bem definidas e, na maioria dos casos, apresenta boa evolução.
A escoliose afeta entre 2% e 3% dos adolescentes e é a deformidade da coluna mais comum nessa faixa etária. Neste conteúdo, você vai entender como é feito o diagnóstico, quais exames costumam ser solicitados e quais são os próximos passos após a confirmação do quadro.
O que é escoliose em adolescentes e por que ela costuma surgir nessa fase?
A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente. O termo “idiopática” significa que não existe uma causa específica identificada para o seu desenvolvimento. Ela costuma surgir durante o estirão puberal, período marcado por crescimento acelerado e mudanças importantes na coluna vertebral.
A escoliose não é apenas uma curvatura lateral da coluna. Trata-se de uma deformidade tridimensional, em que a coluna se curva para um dos lados e também pode sofrer rotação. Essa combinação é responsável pelas alterações estéticas e estruturais observadas nos pacientes.
Durante a fase de crescimento, existe risco de progressão da curva. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são tão importantes. Existem ainda outros tipos de escoliose, como a congênita e a neuromuscular, que apresentam características próprias e exigem avaliação específica.
Quais sinais e sintomas indicam necessidade de avaliação especializada?
Na maioria dos casos, a escoliose não causa dor importante nas fases iniciais. Os primeiros sinais costumam ser percebidos pelos pais, familiares ou durante avaliações de rotina.
Fique atento a:
- Ombros em alturas diferentes;
- Cintura assimétrica ou quadril desnivelado;
- Gibosidade, que é uma elevação visível nas costas ao inclinar o tronco para frente;
- Roupa que não veste de forma simétrica no corpo;
- Postura inclinada para um dos lados.
Esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas indicam a necessidade de avaliação com um ortopedista especialista em coluna. Quanto mais cedo a investigação é iniciada, maiores são as possibilidades de acompanhamento adequado.
Como o ortopedista de coluna avalia a escoliose em adolescentes?
A consulta envolve uma análise detalhada que vai além da observação da postura. A avaliação geralmente inclui:
- História clínica detalhada, incluindo quando os sinais foram percebidos, antecedentes familiares e estágio de desenvolvimento puberal;
- Avaliação do crescimento, fundamental para estimar o risco de progressão da curva;
- Teste de Adams, realizado com o paciente inclinando o tronco para frente para identificação de gibosidade;
- Análise do equilíbrio global, observando o alinhamento entre cabeça, tronco e quadril.
A combinação dessas informações permite compreender o comportamento da escoliose e definir os próximos passos de forma individualizada.
Quais exames são solicitados e o que cada um ajuda a esclarecer?
Radiografia da coluna e ângulo de Cobb
A radiografia panorâmica da coluna em pé é o principal exame para confirmar e medir a escoliose. A partir dela, o especialista calcula o ângulo de Cobb, utilizado para determinar a gravidade da curvatura e orientar a conduta.
Curvas menores costumam ser acompanhadas periodicamente. Já curvas maiores podem exigir medidas mais ativas para evitar progressão.
A radiografia também permite avaliar a maturidade óssea por meio do índice de Risser, um dado importante para estimar quanto crescimento o adolescente ainda tem pela frente.
Quando a ressonância magnética é indicada?
A ressonância magnética não faz parte da investigação de rotina em todos os casos. Ela costuma ser solicitada quando existem sinais neurológicos, padrões de curva considerados atípicos ou suspeita de condições associadas.
Nessas situações, o exame permite analisar estruturas que não são visualizadas pela radiografia convencional.
O que os resultados indicam e como é definido o plano de acompanhamento?
Após a avaliação clínica e análise dos exames, o especialista define a estratégia mais adequada para cada paciente.
Três fatores costumam ter maior peso nessa decisão:
- Grau da curvatura medido pelo ângulo de Cobb;
- Potencial de crescimento restante;
- Idade e estágio puberal do adolescente.
Dependendo dessa combinação, a conduta pode incluir apenas observação periódica, uso de colete ortopédico ou, em situações específicas, avaliação para tratamento cirúrgico.
O acompanhamento regular é uma etapa importante, especialmente durante os anos de crescimento.
Quais são os próximos passos após o diagnóstico?
Receber o diagnóstico de escoliose não significa que a cirurgia será necessária. Na maioria dos casos, o tratamento começa com monitoramento estruturado e reavaliações periódicas.
Os próximos passos geralmente incluem:
- Consultas de acompanhamento a cada 4 a 6 meses durante o período de crescimento ativo;
- Repetição periódica de radiografias para monitorar a evolução da curva;
- Orientações sobre atividades físicas, que costumam ser incentivadas na maioria dos casos;
- Reavaliação das estratégias de tratamento conforme o desenvolvimento do adolescente.
Para quem deseja aprofundar o tema, existem conteúdos complementares sobre cirurgia de cifoescoliose e recuperação após cirurgia de escoliose.
FAQ — Perguntas frequentes
Escoliose em adolescentes sempre piora com o tempo?
Não. A progressão depende principalmente do grau inicial da curvatura e do potencial de crescimento do adolescente. Curvas pequenas em pacientes próximos do fim do crescimento apresentam menor risco de progressão. O acompanhamento especializado permite identificar mudanças precocemente e ajustar a conduta quando necessário.
Adolescente com escoliose pode praticar esportes?
Sim. Na maioria dos casos, a prática de atividades físicas é recomendada. Os exercícios contribuem para o fortalecimento muscular, condicionamento físico e qualidade de vida. Quando existem restrições específicas, elas são definidas individualmente pelo especialista.
Com que frequência o acompanhamento deve ser feito?
Durante a fase de crescimento, o acompanhamento costuma ocorrer a cada 4 a 6 meses. Após a maturidade esquelética, os intervalos podem ser ampliados. A frequência ideal depende das características de cada caso.
Avaliação especializada em escoliose em adolescentes
O diagnóstico precoce da escoliose em adolescentes permite acompanhar a evolução da curva de forma adequada e ampliar as possibilidades de tratamento quando necessário.
Uma avaliação especializada ajuda a identificar o risco de progressão e definir a estratégia mais indicada para cada paciente, considerando idade, potencial de crescimento e características da deformidade.
Se você percebeu sinais sugestivos de escoliose ou busca uma segunda opinião especializada, agende uma consulta e converse com o Dr. Denis Sakai, ortopedista especialista em cirurgia da coluna.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
