Notar que o recém-nascido mantém a cabeça sempre virada para um lado ou apresenta um pequeno nódulo no pescoço gera muita angústia nos pais. O Torcicolo Congênito é uma condição relativamente comum nos primeiros meses de vida e altamente tratável quando diagnosticada precocemente, com excelentes resultados na grande maioria dos casos.

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O que é o Torcicolo Congênito e quais as causas?

O torcicolo congênito é uma alteração caracterizada pelo encurtamento ou fibrose do músculo esternocleidomastoideo (ECM), localizado na lateral do pescoço. Esse músculo é responsável pelos movimentos de inclinação e rotação da cabeça.

Quando o ECM está encurtado de um lado, o bebê tende a manter a cabeça inclinada para o lado afetado e girada para o lado oposto. As causas mais comuns incluem posicionamento intrauterino prolongado, restrição de espaço no útero, gestação gemelar ou traumas durante o parto, especialmente em partos mais difíceis.

Sinais e sintomas: Como identificar em casa?

Os primeiros sinais do torcicolo em bebê costumam aparecer nas primeiras semanas de vida e podem ser percebidos no dia a dia pelos pais ou cuidadores. Resumindo, os sintomas típicos do torcicolo congênito incluem:

  • Inclinação da cabeça para um lado (a cabeça se inclina para um lado enquanto o queixo se move para o outro lado).
  • Rotação da cabeça para o lado oposto da inclinação.
  • Dificuldade em mover o pescoço em direções opostas à inclinação.
  • O bebê pode parecer desconfortável ou chorar ao tentar mover o pescoço.
  • Uma protuberância ou nódulo pode ser sentida no músculo ECM encurtado.

Ao perceber qualquer assimetria persistente, é fundamental procurar avaliação médica especializada para confirmação do diagnóstico e início do tratamento.

A relação com a Plagiocefalia (cabeça amassada)

Quando o torcicolo congênito não é tratado adequadamente, o bebê passa a apoiar sempre o mesmo lado da cabeça ao dormir ou descansar. Isso pode levar ao desenvolvimento da plagiocefalia, uma assimetria no formato do crânio conhecida popularmente como “cabeça amassada”.

Além da alteração estética, a plagiocefalia é uma deformidade pediátrica que pode estar associada a dificuldades posturais e atrasos no desenvolvimento motor, reforçando a importância do diagnóstico e tratamento precoces.

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Avaliação médica: como os médicos diagnosticam a gravidade do torcicolo

Antes de considerar a cirurgia, os médicos geralmente realizam uma avaliação completa para determinar a gravidade do torcicolo congênito. Isso pode incluir exames físicos, imagens médicas (como ultrassonografia ou radiografia) e uma análise cuidadosa dos sintomas e do histórico médico do paciente. Os critérios para considerar a cirurgia podem incluir:

  • Falha no tratamento conservador, como fisioterapia e exercícios de alongamento.
  • Gravidade significativa do encurtamento muscular.
  • Impacto negativo no desenvolvimento motor da criança.
  • Persistência dos sintomas após o primeiro ano de vida.
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Tratamento não cirúrgico: o papel vital da fisioterapia

A fisioterapia é o pilar principal do tratamento do torcicolo congênito e apresenta altíssima taxa de sucesso. Por meio de alongamentos específicos, exercícios de estímulo e orientações posturais, é possível restaurar gradualmente o comprimento e a função do músculo afetado.

Quando iniciado nos primeiros meses de vida, o tratamento conservador resolve cerca de 90% dos casos, geralmente em poucas semanas ou meses, sem necessidade de procedimentos invasivos. A participação ativa dos pais, seguindo corretamente as orientações em casa, é essencial para o sucesso da fisioterapia.

Tire dúvidas sobre os exercícios de alongamento

Cirurgia de torcicolo congênito: quando é a única solução?

A cirurgia é indicada apenas em casos específicos, quando não há resposta adequada ao tratamento fisioterápico. Isso costuma ocorrer quando o diagnóstico é tardio ou quando, mesmo após meses de fisioterapia bem conduzida, persiste a limitação de movimento.

Geralmente, a indicação cirúrgica é considerada após os 12 meses de idade. O procedimento consiste no alongamento cirúrgico do músculo esternocleidomastoideo, permitindo o alinhamento correto da cabeça e do pescoço. Quando bem indicada, a cirurgia apresenta ótimos resultados funcionais e estéticos.

A avaliação deve ser feita por um especialista em ortopedia pediátrica e coluna, como o Dr. Denis Sakai, com experiência no tratamento de deformidades musculoesqueléticas da infância.

Detalhes do procedimento: o que esperar durante a cirurgia

Durante a cirurgia para corrigir o torcicolo congênito, o objetivo principal é alongar o músculo ECM encurtado. 

Existem diferentes técnicas cirúrgicas disponíveis, mas a mais comum envolve fazer uma incisão no pescoço, expor o músculo e, em seguida, alongá-lo cuidadosamente. 

Às vezes, pode ser necessário remover uma porção do músculo para alcançar o comprimento adequado. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, o que significa que a criança estará inconsciente durante o procedimento.

Após a cirurgia, a criança será monitorada na unidade de recuperação e, posteriormente, internada para observação. É importante seguir as orientações médicas quanto aos cuidados pós-operatórios, incluindo repouso e exercícios de fisioterapia para otimizar a recuperação e prevenir a recorrência.

É fundamental lembrar que a cirurgia para torcicolo congênito é geralmente reservada para casos mais graves e que a maioria dos pacientes responde bem ao tratamento conservador, como fisioterapia. A decisão de realizar a cirurgia deve ser tomada em consulta com um ortopedista com enfoque em coluna.

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Fisioterapia: papel da reabilitação na recuperação

A fisioterapia desempenha um papel crucial na reabilitação após a cirurgia. A fisioterapeuta trabalhará com a criança para:

  • Ensinar exercícios de alongamento e fortalecimento para o pescoço.
  • Melhorar a mobilidade e amplitude de movimento do pescoço.
  • Prevenir a recorrência do torcicolo.

Perguntas Frequentes sobre Torcicolo Congênito (FAQ)

Raramente. Sem estímulos adequados, a tendência é manter ou agravar a limitação de movimento e as alterações posturais.

Quanto antes melhor. Idealmente, o tratamento deve começar logo após a identificação, ainda nos primeiros meses de vida.

Não. As incisões são pequenas e realizadas em dobras naturais da pele do pescoço, tornando a cicatriz discreta.

Podem surgir assimetria facial, alterações visuais, plagiocefalia e até escoliose compensatória no futuro.